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Desmistificando a Gestão de Projetos. Onde a carreira começa?

Por Bruno Eduardo Moraleida

Gerenciamento de Projetos talvez seja uma das mais antigas profissões. Desde que o mundo é mundo, projetos são realizados e alguém tem de gerir seu planejamento e execução. Noé certamente não teria construído sua arca se em um dado momento seu Sponsor celestial não o houvesse alertado sobre uma mudança no cenário atual do “mercado” à qual deveriam se antecipar. As pirâmides do Egito não seriam tamanho espetáculo de evolução da engenharia se não fossem as lições aprendidas pelos seus antepassados. Os conceitos são tão antigos quanto a história pode relatar, porém somente ganharam força como profissão em meados do século XX.

Os exemplos citados acima são apenas alguns dos clássicos citados por professores em salas de aula para ilustrar conceitos básicos da gestão de projetos. No entanto, em turmas cada vez mais divididas entre “experientes” e “novos entrantes” estes exemplos deveriam servir para mais do que apenas ilustrar conceitos: deveriam desmistificar a profissão e converter a DIVISÃO citada acima em UNIFICAÇÃO.

Cada vez mais pessoas parecem acreditar que trabalhar em um PMO ou ter um cargo de Gerente de Projetos é algo “místico” – uma palavra derivada do grego mystikos que significa “um iniciado em uma religião de mistérios”. Mas afinal, se Noé e os Faraós já trabalhavam com projetos porque pessoas com cinco ou dez anos de atuação em suas profissões que entram em uma sala de aula para aprender sobre melhores práticas em Projetos muitas vezes se sentem “novos entrantes”? O que precisamos para ser iniciados nesta “religião de mistérios” que é o gerenciamento de projetos?

Certa vez acompanhando um dos Webinars promovidos pelo PMI São Paulo com a participação de Ricardo Vargas – sem dúvidas um grande destaque no conhecimento em Gestão de Projetos no Brasil e no mundo – ouvi o mesmo dizer uma frase que muito me marcou: “Ninguém que tenha mais de 30 anos pode me dizer que não tem experiência com projetos. A vida é um projeto!”. Este é um insight fantástico! Não pode existir misticismo na gestão de projetos por conta de cargos ou denominações. O que deve existir, e isso sim diferencia os profissionais, são as lições aprendidas, experiências adquiridas com uso das boas práticas e maturidade em gerenciamento de projetos.

Partindo deste princípio, gostaria de indicar aos “novos entrantes” algumas atitudes que decidi tomar para suavizar a transição de minha carreira para o Gerenciamento de Projetos:

Não tenha pressa em realizar um MBA ou certificar-se PMP:

Muito mais que um título ou uma certificação o mercado busca constantemente pessoas que conseguem demonstrar resultados através de seu trabalho. Se você não tem certeza que o Gerenciamento de Projetos é o que irá alavancar os resultados do seu trabalho procure antes cursos de curta duração que possam te indicar caminhos. Desenvolva de três a cinco anos de experiência no mercado de trabalho, eles irão te mostrar lacunas importantes a serem preenchidas e alternativas a serem seguidas. A Gestão de Projetos é um grande aliado para gerar resultados, mas não é a solução de todos os problemas. Nem todo mundo precisa ser um GP – siga seu planejamento de carreira.

Identifique as Boas Práticas que você já utiliza:

Mesmo que você não seja um profissional diretamente ligado a projetos se você está se desenvolvendo em um MBA ou curso preparatório você perceberá que já conhece e utiliza algumas das boas práticas sugeridas pelo PMBOK. Evidencie estas boas práticas no seu trabalho, elas são suas principais fortalezas e te ajudarão a seguir aprendendo o que ainda falta.

“Projetize” seu trabalho atual:

Não existe ambiente de trabalho no mundo que não esteja apto a conduzir um projeto de acordo com as boas práticas do PMBOK. À medida que você as aprende, aplique no seu trabalho de forma experimental. Não espere ter todo o conhecimento teórico para tentar construir um plano de projeto pela primeira vez. A prática das ferramentas, mesmo que isoladas, te ajudarão a fixar os conhecimentos e a perceber o que funciona e o que não funciona em seus projetos. Faça isso, mesmo que os resultados não possam ser apresentados a seu superior ainda. Pratique!

Reescreva sua experiência sob a ótica do Gerenciamento de Projetos:

Se você está buscando uma primeira experiência profissional na área de Gestão de Projetos demonstre aos recrutadores que você conhece o que está buscando. Reescreva seu currículo demonstrando claramente seu conhecimento e as boas práticas que já utiliza. Não minta! Esta nunca será a solução. Valorize seu conhecimento e experiência!

Não pare de buscar aprimoramento:

Muitas pessoas terminam um MBA sem ter sua oportunidade na área e acreditam que isto é sinal de falta de sucesso. Não é! Se você deseja seguir a carreira de GP não pare de se aprimorar, aplicar quando possível e se relacionar com as pessoas que podem te auxiliar na conquista do seu espaço.

Lembre-se, “A vida é um projeto”! Gerencie sua vida e não importa onde você trabalha você terá iniciado sua carreira.

Você sabe o que não sabe sobre seu perfil profissional? Como evoluir? o que precisa melhorar? 

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Sobre o Autor 

BrunoBruno Moraleida, MBA é Engenheiro de Alimentos graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (2009) e Especialista em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (2014). Sua trajetória profissional inclui experiência em gerenciamento de equipes de alto desempenho e na condução de projetos de Excelência Operacional em Indústrias de Alimentos e Bebidas com foco nas áreas de produtividade e redução de desperdícios. Atualmente se dedica à completar sua formação Green Belt em Six Sigma e Lean Manufacturing.

 

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