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Gerenciar riscos, é perda de tempo?

Por Marlene Carnevali

Gerenciar Riscos em geral assusta, e você vive se perguntando: Não seria perda de tempo, atraso no cronograma do projeto? Deus me livre falar sobre riscos com os stakeholders…Quais as vantagens?

É confortável para você chegar ao seu sponsor, em plena execução e dizer que vai precisar de mais verba para o projeto, ou que o projeto vai atrasar?

Eu digo que não é perda de tempo, ao contrário, você está investindo um tempo no planejamento, para não perder tempo e dinheiro durante a execução com eventos inesperados e negativos. Ou então ficar sem saber o que fazer quando algo positivo ocorrer, como uma oportunidade de redução de custo.

As vantagens? MUITAS! Você vai ter previsibilidade no projeto. Você se prepara para lidar com as incertezas, que são muitas. Você não quer ouvir do seu sponsor: “E você não previu que isso poderia acontecer? ” ….   Então, vamos entender melhor porque devemos fazer Gerenciamento de Riscos? Vamos começar com um case bem conhecido:

O Titanic.

Total de pessoas a abordo: 2.227 pessoas, entre tripulantes e passageiros. A despeito do céu claro e do mar tranquilo em que navegava, em 14 de abril, pouco antes da meia noite, o Titanic atinge um iceberg a estibordo, próximo à proa. Às 2h e 20min, do dia seguinte, o TITANIC afunda, matando 1.522 pessoas. O transatlântico, de 46.362 toneladas, era o maior objeto móvel construído pelo homem. Com uma extensão total de 277,7 m., equivalente a 3 campos de futebol, o TITANIC era considerado “inaufragável” pelos jornais da época.

Então, porque afundou? Vejamos os procedimentos que foram utilizados pela equipe do projeto.

– RADAR – Não disponível.

– ALERTAS:

12/04 – Primeiros avisos sobre a presença de icebergs no Atlântico Norte;

13/04 – Recebeu o segundo aviso de outro transatlântico que navegava em sentido oposto e já havia passado pelos icebergs;

14/04 – Recebeu um total de seis mensagens sobre a presença de icebergs à frente;

Apesar de todos esses avisos, o TITANIC não reduziu a velocidade, mantendo-se em

21.5 nós, acima dos 18 nós testados antes do início da travessia.

– BOTES SALVA-VIDAS:

Disponíveis 1.178, ou seja, 53% das pessoas a bordo.

– PROCEDIMENTOS DE EMERGÊNCIA

Nem os passageiros, nem a tripulação praticaram, durante a viagem, procedimentos de

emergência para desastres, embora fosse rotina na época.

 

Risco, impacto e probabilidade

Se Edward J. Smith, capitão do TITANIC, tivesse suposto que naquela velocidade o navio não teria tempo de se desviar do iceberg, que o esperava a 742.4 km da província de Newfoundland ele, com certeza, teria reduzido a velocidade.

Se Jarnes P. Moody, o oficial que estava de plantão no dia do acidente, soubesse que os marinheiros no cesto da gávea não tinham binóculos e que a presença deste equipamento poderia evitar a colisão, ele certamente teria enviado pelo menos um par de binóculos para Fredrick e Archie.

A WHITE STAR LINE, empresa dona do TITANIC, teria permitido a adição dos botes salva-vidas adicionais que Alexander Carlisle, desenhista naval responsável pelo projeto do transatlântico, havia sugerido. Da mesma forma, os passageiros e tripulação do TITANIc teriam recebido o treinamento para emergência.

IMPORTANTE! no primeiro exemplo o fator de risco em questão é a velocidade do navio. No segundo, o fator de risco é a ausência de binóculos no cesto da gávea. No terceiro, trata-se da quantidade insuficientes de botes salva-vidas. Portanto,

Fator de risco é qualquer evento que possa prejudicar, total
ou parcialmente, as chances de sucesso do projeto, isto é, as chances do projeto realizar o que foi proposto dentro do prazo e fluxo de caixa que foram estabelecidos.

Risco é a probabilidade de que um fato ocorrer que possa prejudicar, total ou parcialmente, as chances de sucesso de um projeto.

Nos três exemplos, as probabilidades destes fatores prejudicar o principal objetivo do projeto (levar os passageiros em segurança da Europa para os Estados Unidos) foram, obviamente, subestimadas. As conseqüências foram a perda do Titanic e da vida dos que pereceram no desastre.

Observe que

O OBJETIVO DE UM PROJETO É AQUILO QUE O PROJETO TEM QUE REALIZAR DENTRO DE UM LIMITE DE TEMPO E FLUXO DE CAIXA PREDETERMINADOS.

Se o capitão do Titanic (gerente do projeto), com ajuda dos oficiais e marinheiros a bordo (equipe de projeto), tivesse despendido recursos e esforços para identificar antecipadamente estes fatores de risco, então ele poderia ter estabelecido cursos de ação capazes de diminuir a probabilidade de fracasso aumentando, sobremaneira, as chances de sucesso.

Planos de contingência são ações ou procedimento que procuram minimizar o impacto de um ou mais fatores de risco que, se ocorrerem, prejudicam as chances de sucesso de um projeto.

Isso é justamente o que é feito na atividade de análise de risco para Gerência de Projetos. Em outras palavras, a atividade de análise de risco procura evitar que os icebergs, ao longo do caminho, venham a colidir com os projetos sob nossa responsabilidade! Caso um problema se torne inevitável, planos de ação estarão disponíveis para minimizar os efeitos negativos no projeto.

Risco e percepção de risco

É importante ter em mente que, embora os riscos sejam eventos reais, a análise de risco se baseia muito mais na nossa percepção da existência destes riscos do que na sua existência em si. Isso porque nossa compreensão deste universo é limitada e imperfeita. O que torna o GERENCIAMENTO DE RISCOS uma atividade imprescindível no Gerenciamento de Projetos.

VOCÊ NÃO QUER QUE SEU PROJETO SE TRANSFORME NUM TITANIC, QUER? 

 

Para evitar novos riscos em seus projetos, você pensou em?

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Sobre o Autor

Marlene CarnevaliMarlene Carnevali, PMP, PMI-RMP, Coach. Bacharel em Administração de Empresas com ênfase em Comércio Exterior. Pós-graduada em Telecomunicações pela São Judas e em Gerenciamento de Projetos pela FIAP. Com mais de 25 anos de experiências em empresas de grande porte como Citibank, BOVESPA, BANESPA, Santander, Unisys Software Factory e HSBC. Foi a primeira mulher no Brasil a obter a Certificação Internacional em Gerenciamento de Riscos (PMI-RMP), é certificada em Gerenciamento de Projetos também pelo PMI, Possui certificação internacional em Mentoring & Coaching pelo Instituto Holos.

Responsável pela criação de EAD em Gerenciamento de Projetos e Riscos, disponibiliza os cursos através do site www.prorisks.com.br.

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