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Falar em público: 6 dicas para o sucesso

Por Maria Angélica Castellani 

Você deve apresentar seu artigo, seu TCC, o status dos seus projetos, palestrar e não sabe como fazer?

Seu público dormiu?

Não despertou o interesse?

Faltou autoconfiança?

Considera que não está preparado?

Tenha certeza de que o caminho mais certo para conseguir a inspiração é uma boa preparação. Para isso, você precisa seguir uma série de passos que lhe permitirão adquirir segurança suficiente para o momento em que estiver frente ao público. A  confiança em suas palavras, por parte dos seus interlocutores, é um fator fundamental para o sucesso de sua apresentação.

Falar em público não é tarefa fácil. É preciso preparar, estudar, ensaiar e aperfeiçoar o que será apresentado. Alguns cuidados devem ser considerados para aprimorar a arte da comunicação.  Sendo sua apresentação formal ou informal, na maioria das vezes, você precisará de alguns conselhos:

Geralmente, não nos preocupamos com a nossa comunicação, pois ela nos é natural. Quando vamos comunicar algo, é importante conhecermos mais sobre o que significa comunicar, e como melhor fazer essa transferência de informação. Algumas dicas para você se comunicar melhor.

1 – A comunicação Verbal e não Verbal 

Tudo o que fazemos é transmitido por alguma forma de comunicação: escrita, verbal ou não verbal. Mehrabian e Ferris, no artigo Inference of Attitudes from Nonverbal Communication in Two Channels”, publicado no The Journal of Consulting Psychology, em 1967,  indicam que, por meio de estudos, foi comprovado que o ser humano se comunica de três formas diferentes: pela palavra dita, que representa apenas 7% de nossa comunicação; pelo tom de voz, que representa 38%; pela linguagem não verbal, que representa 55%.  Ou seja, a comunicação não verbal é o principal influenciador em nosso poder de persuasão e comunicação. Acredite!!

O olhar, o sorriso, o balançar da cabeça, o movimento dos ombros e braços representam nossa linguagem não verbal. Todos eles refletem de uma forma ou de outra seus pensamentos. Comece a colocar a sua atenção nos gestos das pessoas e aprenderá a perceber a verdadeira intenção que existe por trás das palavras.

Alguma vez já aconteceu com você, de escutar algo de alguém e não sentir a segurança suficiente para acreditar no que realmente a pessoa estava falando?

Para obter efetividade na comunicação, a fala deve ser congruente e estar em sintonia com os gestos, ou seja, com a linguagem do nosso corpo. O corpo fala sem palavras, diz Pierre Weil. Por exemplo, se você assistir a um filme sem olhar para a tela do cinema, apenas ouvindo os atores, com certeza você perderá grande parte do filme. Como também, se você assistir a um filme sem som, somente contemplando a tela, obviamente não entenderá nada.

Portanto, a comunicação verbal e a não verbal formam uma unidade.
O que devemos aprender é perceber mais do que simplesmente olhar, porque se trata de um conceito mais profundo. Pratique!

2 – Melhore a Dicção

Muitas pessoas não sabem que podem ter vícios de dicção. Além de detectados, deverão ser melhorados. Solicite ajuda para verificar se está falando corretamente. Gravar e escutar, pedir opinião são ações que ajudarão na melhoria de nossa fala.

3 – Conheça seu canal de comunicação 

Cada pessoa vê e percebe o mundo de maneiras diferentes, através dos canais de percepção ou de comunicação. São eles: auditivos, visuais e sinestésicos (de ação, sentimento e movimento). Cada um de nós temos um sistema sensorial mais forte que os outros. Descobri-lo, ajudará, e muito, na comunicação com pessoas que não têm seu mesmo canal de comunicação. Quando você fortalece, de forma consciente, a sua capacidade de comunicação, descobrirá um novo mundo de experiências (Donald Moine).

As pessoas visuais processam as informações por meio de imagens, prestam mais atenção a tudo o que é visto, gravam imagens na sua memória, transformam palavras em fotografias. Precisam ver para assimilar melhor. Na linguagem utilizada predominam as palavras visuais, por exemplo: olhe, veja, claro, brilhante, observe, mostrar.

As pessoas auditivas registram mais o que ouvem do que veem. Prestam mais atenção ao que é transmitido verbalmente, dão mais importância ao que escutam. Também, a linguagem utilizada, em geral, acompanha o mesmo canal. São elas: ouça, escute, silêncio, conversa.

 As pessoas sinestésicas estão mais ligadas ao sentir. São tranqüilas, calmas. O tato é seu sentido mais forte. Costumam falar com as mãos, expressam seus pensamentos por meio dos seus sentidos. A linguagem do sinestésico é: sente, aperte, segure, compreenda, faça contato.

Quando estamos conversando com uma única pessoa, é possível detectar qual é o seu principal canal de comunicação, para conseguirmos uma melhor sintonia e termos maior impacto em nossa conversa. Estando na frente de um auditório, nossa apresentação deve estar orientada para todos os tipos de canais. Devemos nos comunicar pensando nos visuais, nos auditivos e nos sinestésicos, variando nosso discurso e apresentações para aumentar nosso poder de comunicação.

4 – Domine o tema que vai tratar 

“Não é suficiente ter uma boa mente: o principal é usá-la bem.” (René Descartes).

Precisa estar preparado e, mesmo que esqueça alguma parte de seu discurso, poderá se valer do improviso para continuar falando. Quanto mais conhecimentos você tem sobre o assunto a apresentar, maior poderá ser seu desempenho e sua habilidade para a improvisação e, consequentemente, sua naturalidade na exposição.

5 – Melhore sua autoestima 

A autoestima elevada é fundamental para o sucesso na arte da comunicação. Você sabe a imagem que está projetando? Sabe como é visto pelas outras pessoas? Se você tem medo de falar em público, precisa colocar mais atenção no nível da sua autoestima. Todos somos capazes de fazer algo, na medida em que acreditamos  em nossa capacidade.

6 – Planeje seu discurso 

Agora, vamos ao discurso em si. Como Gerente de Projetos, meu primeiro conselho é: planejamento. Você precisa ordenar sua exposição com início, meio e fim, prevendo o tempo para sua apresentação. Especificamente, você terá três momentos: introdução, conteúdo e encerramento.

introdução representa 20% do seu tempo. Nesta parte, você deverá causar impacto para chamar a atenção e despertar o interesse no tema da sua exposição. O objetivo principal é torná-lo o mais interessante possível, sem cansar a sua platéia. Utilize o tempo justo. Lembre-se de que a introdução e o encerramento são as mais importantes, por isso utilize o tempo necessário na sua preparação e aperfeiçoamento.

conteúdo representa 70% do seu discurso. Seu destaque, aqui, será o conhecimento do tema, sua segurança, sua autoestima, seu jogo de cintura durante a exposição. Module sua voz, não utilize um mesmo tom o tempo todo. Faça inflexões para reforçar conceitos de forma a evitar a dispersão das pessoas. Complemente com uma apresentação variada e didática, sem sobrecarregar de texto os slides. Estes devem ser um guia e não representar o conteúdo completo, que leva à leitura dos textos. Isso dará uma péssima imagem.  “O domínio da eloqüência consegue-se por meio do domínio do assunto que será tratado”, disse Lloyd George.

Se sua memória é fraca, deverá treiná-la. Existem muitas técnicas de memorização que poderão ajudar na otimização.

Finalmente, o encerramento representa 10% de seu tempo.  Ele e a introdução são as partes mais importantes do discurso. No encerramento, você deverá resumir a ideia ou a conclusão do assunto tratado. Recomenda-se finalizar com alguma frase de efeito, ou uma mensagem para que possa ser lembrado por mais tempo.

Quer aprender sobre técnicas de apresentação com Steve Jobs? Assista …


 

Conclusão:

Se você vai fazer uma apresentação, planeje e pratique. Pratique e pratique. Pesquise sobre o que significa ser didático, melhore sua autoestima, descubra seu principal canal de comunicação, aprenda sobre linguagem não verbal, complemente com slides adequados para serem guia e não um manual, conheça profundamente o assunto, e, principalmente, adquira a segurança necessária para gerar a confiança de seu público em você.

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Leituras recomendadas:

O corpo fala. Pierre Weil e Roland  Tompakow. Editora Vozes.

Modernas Técnicas de Persuasão. Donald J. Moine e John H. Herd. (Contém um questionário para descobrir seu principal canal de comunicação).  Summus Editorial.

Apresentações que falam por si. João Aragão e Pina. Editora Lidel.

Sobre o Autor: 

Maria-Angelica-CastellaniMaria Angélica Castellani, PMP, CSM, CSD. Formada em Computação Científica pela Universidade Nacional de La Plata, Argentina, com MBA em Gerenciamento de Projetos e MBA em Negócios Internacionais, ambas pela FGV. Especialista em Change Management e em Gestão Estratégica do Conhecimento. Atua há mais de 20 anos em gerenciamento de projetos, melhoria de processos e implantação de PMO. É sócia diretora da empresa FIXE Consulting & Training desde 1999. Palestrante nacional e internacional (Mercosul). Professora de Gestão de Projetos em várias Instituições. Gerente Voluntária do Programa da Revista Eletrônica do PMI-SP (e-news), desde 2008. Co-autora do Livro Gestão de Projetos: Teoria, Prática e Tendências da Editora Elsevier, publicado em outubro de 2014.

 

 

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