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Liderança: Os pilares para a criação de confiança mútua

Por Maria Angélica Castellani

O grau de confiança entre duas pessoas ou mais, é determinado pela capacidade que elas têm de prever o comportamento uma da outra, dentro de uma nação. Tem como base experiências passadas que corrobora um padrão esperado, valores compartilhados percebidos como compatíveis. Também é “a expectativa que nasce no seio de uma comunidade de comportamento estável, honesto e cooperativo, baseado em normas compartilhadas pelos membros dessa comunidade”. Quando isso ocorre, tenho condições de prever o comportamento do outro em uma dada circunstância. Portanto, a confiança é a previsibilidade do comportamento. (Wikipedia) 

A confiança é o principal aliado do gestor, ou de qualquer líder, que permitirá a geração da sinergia necessária para alcançar o sucesso no relacionamento interpessoal com a equipe ou com os stakeholders, de qualquer projeto.

A pergunta difícil de responder é: como conseguimos criar um ambiente de confiança mutua?

Sabemos que, independente da metodologia utilizada na gestão de um projeto, construir um bom relacionamento com as pessoas envolvidas é de fundamental importância. Muito dependerá de nossa personalidade, de nosso autoconhecimento e, fundamentalmente, das habilidades desenvolvidas para lidar com os desafios que teremos com as pessoas envolvidas no projeto.

Para enfrentar esses desafios precisaremos, entre outros, entender o que significa motivação, saber ouvir, empatia, respeito, saber se comunicar bem, autoridade moral, sinceridade, transparência, senso de justiça e ética. Todos eles ajudarão na geração da confiança nos relacionamentos, que permita atingir os resultados esperados. Mas a mais importante habilidade será, sem dúvida alguma, saber lidar com os conflitos originados, principalmente, pelas diferenças humanas. É aqui onde necessitaremos construir soluções criativas baseadas na autoridade moral do líder e na confiança nos relacionamentos (S. Covey, 2005).

A seguir faço um resumo dessas habilidades e valores, necessários para a geração de confiança, onde cada um de vocês poderá encontrar a orientação que precisa e lapidar o líder que deseja ser para ganhar a confiança dos seus liderados.

Como desenvolver a habilidade de motivar as pessoas? 

Quando se trata de pessoas, não existe receita pronta, cada caso sempre será mais um. A melhor recomendação é a leitura constante. Também, o caminho não será acreditar, o fundamental é a prática contínua. Nada melhor que a própria experiência acumulada. Tratando-se de motivação recomendo o livro “100 maneiras de motivar as pessoas” de Steve Chandler e Scott Richardson. É um guia prático e objetivo que ajudará a encarar os desafios profissionais de forma mais sensata e menos estressante.

Saber ouvir.

Todos nós sabemos ouvir, fazemos isso constantemente e naturalmente, sempre dentro de nosso próprio marco de referência (S. Covey, 2005). Isso significa interpretar o que ouvimos conforme nossas experiências, nossos valores e nossa história. Saber ouvir com empatia, vai além desse conceito. Significa sair do nosso marco de referência para entrar no ponto de vista da outra pessoa.

Peter Drucker disse: “A coisa mais importante na comunicação é ouvir o que não está sendo dito.” Portanto, aprenda a entender a linguagem não verbal, que está presente em todas as conversas. A nossa própria voz e a voz do corpo precisam ser ouvidas conjuntamente para compreender mais claramente a mensagem de nosso interlocutor.

Empatia.

As pessoas precisam se sentir compreendidas. Precisamos entender o outro para adotarmos uma atitude positiva. A empatia é essa forma de participação efetiva que nos permite nos entender com os outros. Precisamos nos colocar no lugar do outro, ver as coisas desde o ponto de vista do outro.

A palavra empatia origina-se do termo grego empátheia, que significa entrar no sentimento. A primeira condição será, portanto, sermos receptivos aos outros e simultaneamente à nossa totalidade interior. A empatia nos ajudará a nos libertar dos nossos padrões rígidos e repetitivos. É preciso derrubar as barreiras que nos impedem fazer um contato mais direto e espontâneo com o outro sem nos confundirmos com ele.

Conforme Wikipédia,

Na psicologia e nas neurociências contemporâneas a empatia é uma espécie de inteligência emocional e pode ser dividida em dois tipos: a cognitiva – relacionada à capacidade de compreender a perspectiva psicológica das outras pessoas; e a afetiva – relacionada à habilidade de experimentar reações emocionais por meio da observação da experiência alheia.

Respeito.

O Líder nato tem o poder de influenciar e ser influenciado, ele aceita sugestões e compartilha idéias com os seus liderados para gerar resultados que reforcem a coesão da Equipe e a disposição de seus integrantes. A vontade de servir, a humildade e a simplicidade constituem-se virtudes essenciais de um líder autêntico, que ajuda a formar novos Líderes melhores do que ele.

A comunicação entre o Líder e seus Liderados deve ter, acima de tudo, respeito com base no que é certo. O Líder deve ser sempre receptivo quando desafiado e confrontado pelo liderado, questionando-o na maneira e no momento certo, com o objetivo de confrontá-lo e desafiá-lo também.

É fundamental que sua equipe esteja ciente, que é merecedora de respeito na sua expressão máxima, seja quem for e faça o que fizer.

Se Comunicar bem.

A palavra falada é essencial para os contatos pessoais e freqüentes, por intermédio dos quais, Líder e Liderados, possam informar-se mutuamente, bem como acompanhar e avaliar, em conjunto, a execução dos Projetos e julgar o relacionamento entre si.

A comunicação é o alicerce da liderança. É requisito básico de um líder ter a capacidade de transmitir suas mensagens para persuadir, inspirar ou motivar seus liderados.

A comunicação é a capacidade de transformar idéias em mensagens convincentes, que gerem ação positiva, evitando que simplesmente seja uma troca de informações.

Autoridade moral.

Como ser moral entende-se que o homem é dotado de uma natureza com poderes que o capacita a agir de maneira certa ou errada.  Esses poderes são o intelecto ou razão, o sentimento e a vontade. Em conexão com estas faculdades humanas está a atividade da consciência, que envolve todos os poderes, e sem a qual não pode haver nenhuma ação moral (STRONG, 2003, p. 64-65; THIESSEN, 1988, p. 158). Estes poderes ou faculdades humanas atuam da seguinte forma:

– O intelecto ou razão habilita o homem para discernir, avaliar entre o certo e o errado;
– A sensibilidade ou sentimento o inclina, o move para o certo ou o errado;
– A vontade livre concretiza, faz.

Stephey Covey, no Prefácio do livro Liderança Servidora de Robert Greenleaf, diz que a autoridade moral vem do uso do poder natural e da liberdade de escolha baseado em princípios. Quando as pessoas vivem de acordo com sua consciência, respondendo aos princípios universais de integridade, honestidade, respeito, e contribuição, seu comportamento ecoa nas almas de todos. As pessoas instintivamente sentem confiança nelas. Este é o princípio da autoridade moral.

Se uma cultura inteira estivesse imbuída deste tipo de autoridade moral, esta não precisaria de leis externas. As pessoas viveriam e seriam governadas pelas leis morais internas. Elas todas seguiriam um sistema comum de valores.

Autoridade moral é outra maneira de definir liderança servidora porque representa uma escolha recíproca entre líder e seguidor. Se o líder está centrado em princípios, ele desenvolverá autoridade moral. Se o seguidor está centrado em princípios, ele seguirá o líder. Nesse sentido, tanto líderes como seguidores, são seguidores. Por quê? Eles seguem a verdade. Eles seguem a lei natural. Eles seguem princípios. Seguem uma visão comum, consensual. Eles compartilham valores. Eles constroem confiança um no outro. A autoridade moral é mutuamente desenvolvida e compartilhada.

Sinceridade e Transparência.

As duas são importantíssimas virtudes humanas. A sinceridade é a virtude de quem não mente em sua fala, de quem diz realmente o que pensa. A transparência é a virtude de não omitir em sua fala, de quem realmente diz o que pensa.

A única forma de se obter confiança é conquistá-la, e o primeiro requisito é ser você mesmo confiável. Uma  forma fundamental de demonstrar ser digno de confiança é ser transparente e aberto, saber ouvir e alinhar ações com o discurso. Não é possível conquistar a confiança de alguém falando de um modo e agindo de outro, deve existir absoluta coerência entre o que se diz e o que se faz.

Quando os liderados percebem no líder alguém que compartilha decisões, que opta pelo bem verdadeiro, administra conflitos com sinceridade e transparência, é possível estabelecer um relacionamento estruturado na confiança, pois se ressalta a humanidade do líder e, as barreiras levantadas pelas dúvidas sobre o seu caráter, são quebradas (Marcelo Ulisses, 2013).

Senso de justiça.

O Líder deve ser visto agindo de modo justo em tudo o que faz, elogiando quando e onde for devido, exercer a disciplina e corrigir na ocasião certa, encorajando e elogiando aqueles que fazem por merecer.

Nós todos sabemos que, assim como vários fatores motivam as pessoas, existe, em qualquer ambiente, um único fator que tira a motivação das pessoas, esse fator é a injustiça.

Quando ocorre um procedimento injusto, gera-nos uma resposta intensa de hostilidade que prejudica a geração de confiança e o desenvolvimento da colaboração.

O Código de Ética e Conduta Profissional do PMI define a justiça como: a obrigação de tomar decisões e de agir de forma imparcial e objetiva, isenta de interesse próprio, preconceito e favoritismo.

Ética

Ética é uma palavra de origem grega (éthos), que significa propriedade do caráter. Ser ético é agir dentro dos padrões convencionais, é proceder bem, é não prejudicar o próximo. Ser ético é cumprir os valores estabelecidos pela sociedade em que se vive.

Ter ética profissional significa que um profissional deve cumprir com todas as atividades de sua profissão, seguindo os princípios determinados pela sociedade e por seu grupo de trabalho.

Assim, todos os gerentes de projetos devem estar cientes e cumprir em suas funções com o Código de Ética e Conduta Profissional definido pelo PMI. Ele ratifica o respeito de quatro valores fundamentais: responsabilidade, respeito, justiça e honestidade.

Conclusões

A motivação, o saber ouvir, a empatia, o respeito, se comunicar bem, a autoridade moral, a sinceridade, a transparência, o senso de justiça e a ética, são os valores que constroem a confiança no líder. Portanto, analise profundamente as características de cada um, vejam quais a sua personalidade precisa melhorar ou desenvolver e pratique, pratique muito. As respostas que receber mostrará para você os progressos na sua liderança.

“Uma chave importante para o sucesso é a autoconfiança. Uma chave importante para a autoconfiança é o preparo.” Arthur Ashe

Matéria original publicada no Blog da Revista Mundo PM, em 16-04-2013.

Sobre o Autor

Maria-Angelica-CastellaniMaria Angélica Castellani, PMP, CSM, CSD. Formada em Computação Científica pela Universidade Nacional de La Plata, Argentina, com MBA em Gerenciamento de Projetos e MBA em Negócios Internacionais, ambas pela FGV. Especialista em Change Management e em Gestão Estratégica do Conhecimento. Atua há mais de 20 anos em gerenciamento de projetos, melhoria de processos e implantação de PMO. É sócia diretora da empresa FIXE Consulting & Training desde 1999. Palestrante nacional e internacional (Mercosul). Professora de Gestão de Projetos em várias Instituições. Gerente Voluntária do Programa da Revista Eletrônica do PMI-SP (e-news), desde 2008. Co-autora do Livro Gestão de Projetos: Teoria, Prática e Tendências da Editora Elsevier, 2014.

 

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