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Liderança Servidora – Parte 1

Uma cultura de baixa confiança que é caracterizada por um gerenciamento de “comando e controle”, protecionismo, manipulação política, cinismo, competição interna e o princípio ganha-perde, simplesmente não pode concorrer com a velocidade, qualidade e inovação daquelas organizações ao redor do mundo que efetivamente delegam poderes e responsabilidades às pessoas.

Do Livro de Robert Greenleaf Liderança Servidora  – Parte 1 

Prefácio escrito por Stephey Covey – Resumo

É uma profunda honra ter sido convidado a escrever o prefácio desta Edição do Vigésimo Quinto Aniversário de Servant Leadership (Liderança Servidora ) , um livro que tem sido de enorme influência nos últimos vinte e cinco anos, tanto direta como indiretamente. Através do meu trabalho em muitas organizações no decorrer dos anos, eu tenho sido testemunha ocular do seu tremendo impacto, e estou convencido de que sua maior influência ainda está por vir. Porque? Porque, como disse Vítor Hugo, “Não há nada mais poderoso do que uma ideia cuja hora é chegada”. A hora do modelo “Liderança Servidora” chegou.

A parte mais profunda da natureza humana é aquela que incita as pessoas, cada um de nós, a elevar-se acima de circunstâncias presentes e transcender nossa natureza comum. Se você consegue apelar para isto, conecta toda uma nova fonte da motivação humana. Talvez seja esta a razão pela qual eu acho os ensinamentos de Robert Greenleaf tão imensamente inspiradores, edificantes, enobrecedores.

Há um grande movimento expandindo-se através do mundo todo hoje. Suas raízes, eu creio, podem ser encontradas em duas forças poderosas. Uma é a globalização dramática de mercados e tecnologia. E de uma maneira muito pragmática, essa imensa onda de mudança está alimentando o impacto da segunda força: a força de princípios perenes e universais que tem regido todo sucesso sustentável, e sempre o fará, especialmente aqueles princípios que dão “alento”, “vida” e “poder criativo ao espírito humano”, o que produz valor em organizações, mercados, famílias e o que é mais significativo, nas vidas dos indivíduos.

A Relevância da Liderança Servidora Continuará Aumentando

Um desses princípios fundamentais perenes é a idéia da liderança servidora, e eu estou convencido de que sua relevância continuará aumentando dramaticamente. Há uma crescente conscientização em torno disto através do mundo todo. Uma das coisas que está impulsionando isto, como já mencionei, é a economia global, a qual insiste de modo absoluto em qualidade com baixo custo. Nós temos que produzir mais por menos, e com maior velocidade do que jamais fizemos antes. A única forma para fazê-lo de um modo sustentável é empowerment,  distribuir poder, às pessoas. E a única forma para obter este poder é através de culturas de alta confiança e com uma filosofia de poder que transforme patrões em servos coaches , e as estruturas e sistemas em processos criativos institucionalizados para servir.

Uma cultura de baixa confiança que é caracterizada por um gerenciamento de “comando e controle”, protecionismo, manipulação política, cinismo, competição interna e o princípio ganha-perde, simplesmente não pode concorrer com a velocidade, qualidade e inovação daquelas organizações ao redor do mundo que efetivamente delegam poderes e responsabilidades ás pessoas. Pode ser possível comprar o corpo de alguém, porém não seu coração, sua mente e espírito. Na realidade competitiva da atual economia de mercado global, sobreviverão apenas as organizações cujo pessoal disponibiliza seu tremendo talento criativo, compromisso e lealdade. As organizações que se desenvolverão em líderes do mercado alinham suas estruturas, sistemas e seu estilo de gerenciamento com o propósito de apoiar e alavancar poder para seu pessoal.

Os líderes estão aprendendo a alavancar este tipo de poder, o que significa exercer liderança servidora e é um dos princípios chave, baseado na prática não em teorias. Este tem sido o ponto decisivo, que determina o sucesso sustentável de uma organização, ou o seu fim eventual.

“Atração Estranha”

Eu amo esta afirmação feita por Stan Davis, “Quando a infra-estrutura muda, tudo treme.”

Bem, tudo está tremendo porque as velhas regras de gerenciamento tradicional, hierárquico, de comando e controle, de cima para baixo, estão sendo desmanteladas: elas simplesmente não funcionam mais. E estão sendo substituídas por uma forma de “controle” a qual os proponentes da teoria do caos chamam a “atração estranha”, uma visão que atrai as pessoas e na qual se unem, que as capacita a serem guiadas por motivação interna a alcançarem um propósito comum. Isto transformou o papel do gerente de alguém que conduz a resultados, motivando de fora para dentro, em um líder servidor, buscando extrair, inspirar e desenvolver o que há de melhor e mais elevado no interior das pessoas, de dentro para fora. O líder faz isso ao engajar toda a equipe ou organização num processo que cria uma visão compartilhada. Isso inspira cada pessoa a expandir-se e ir mais fundo dentro de si mesma, utilizando os talentos únicos de cada um, contando com a disposição do líder para fazer o que for necessário para alcançar a visão compartilhada, seja de forma independente ou interdependente.

Para conseguir este tipo de confiança numa cultura que permita o desenvolvimento de uma abordagem poderosa, devemos não apenas ter indivíduos que sejam confiáveis e cuja visão é compartilhada com a da organização, mas devemos ter uma organização confiável, a qual apóia e fomenta o empowerment, partilhar e delegar o poder. Outra vez, a menos que sistemas e estruturas se tornem mais democráticas, não haverá fortalecimento da organização. Esta foi a mensagem básica de W. Edwards Deming: mais de 90% dos problemas ocorrem, sem dúvida, devido a sistemas ruins, não a pessoas ruins. Entretanto, Greenleaf corretamente aponta que as pessoas são os programadores dos sistemas. Em última análise, portanto, nós devemos educar as pessoas para dar-lhes um novo conceito de stewardship e para redefinir liderança como serviço stewardship. (O conceito “stewardship” tem tido várias traduções em português, mas nenhuma é satisfatória. O livro clássico de Peter Block sobre essa questão foi intitulado “Stewardship: Regência-gerência”, um ambiente de confiança no trabalho onde todos se percebem responsáveis como se fossem os donos do negócio, não empregados à serviço de “um” dono).

Princípios Perenes no Núcleo

Tem que haver alguma coisa na alma de uma organização que não muda, mas capacita as pessoas a viverem com mudança. Este núcleo inalterável consiste de princípios naturais. Eu certamente não os inventei. Greenleaf não os inventou. São leis naturais as quais são auto-evidentes. Todos nós as conhecemos. São de senso comum. Como T.S.Eliot afirmou com tanta beleza, “Nós não devemos cessar a busca. O final de toda nossa exploração será chegar aonde começamos e conhecer esse lugar pela primeira vez.”

Liderança Duradoura

Eu acredito que a qualidade essencial que distingue os líderes servidores de outros é que estes vivem de acordo com sua consciência , o senso moral interior do que é certo ou errado. Esta qualidade é o que diferencia a liderança que funciona da liderança que dura, como a liderança servidora. Há uma evidência maciça demonstrando que esse senso moral, essa consciência, essa luz interior, é um fenômeno universal. A natureza espiritual ou moral das pessoas é também independente de religião ou de qualquer abordagem religiosa em particular, cultura, geografia, nacionalidade ou raça. Ainda assim todas as maiores tradições religiosas mundiais, que permanecem estão unificadas no que diz respeito a certos princípios ou valores fundamentais.

Imanuel Kant disse, “Eu me surpreendo continuamente com duas coisas; os céus estrelados exteriores e a lei moral interior.” Consciência é a lei moral interior. É uma superposição de lei moral e comportamento. Muitos crêem, como eu, que é a voz de Deus para seus filhos. Outros podem não partilhar desta crença mas ainda reconhecem que existe um senso inato de justiça e integridade, um senso do que é certo e errado, do que é ou não bom e amável, do que é edificante ou prejudicial, do que embeleza e do que destrói, do que é verdadeiro e do que é falso. Concordo que a cultura traduz esse senso moral básico em diferentes tipos de práticas e palavras, mas essa tradução não nega o sentido fundamental do certo e errado.

Devido ao fato de trabalhar em nações de diferentes culturas e religiões, eu tenho visto essa consciência universal revelar-se uma e outra vez. Existe realmente um conjunto de valores, um senso de integridade, honestidade, respeito, e contribuição que transcende culturas, algo que é atemporal e transcende as eras e é também auto-evidente. É tão auto-evidente como o fato de que se requer pessoas dignas de confiança para gerar confiabilidade.

 

Liderança Servidora Parte 2

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7 comentários em “Liderança Servidora – Parte 1”

  1. Meredith N. Spears

    Hunter destacou que a liderança é algo inato, uma habilidade que pode ser aprendida. E resumiu o conceito de liderança servidora em uma máxima clássica: “tratem as pessoas como gostaria que fosse tratado”. Ele que menciona e divulga a liberdade servidora há 30 anos, diz que os princípios dessa liderança não precisam ser ensinados, pois todos já sabem e são evidentes: ser paciente, gentil, comprometido, educado, ouvir as pessoas, saber perdoar, entre outros. “O que se faz necessário para a liderança servidora acontecer, é simplesmente colocar tudo isso em prática”, defende.

  2. Stefanie Gamble

    pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum. E conceitua habilidade como capacidade adquirida. Define então que liderança é uma habilidade que pode ser aprendida e desenvolvida por alguém que tenha desejo e pratique as ações adequadas.

  3. Já pensou, se nós conseguíssemos comunidades modelo nesse país, e instituições modelo, escolas, empresas e unidades governamentais que se tornassem ilhas de excelência em mares de mediocridade? E se elas pudessem se tornar modelos que transportando o que aprenderam, transformariam-se em mentores de outros, assim todo esse espírito de liderança servidora, de stewardship, de trabalhar no processo para alavancar poder através de sistemas e estruturas, se enraizaria e floresceria, não é mesmo? Eu honestamente creio que nós poderíamos curar nosso país. Eu creio que a grande maioria das pessoas nesse país, com o tipo certo de liderança servidora em todos os níveis — principalmente no nível familiar — poderiam curar nosso país. De outra forma, os problemas sociais presentes, irão piorar e se aprofundar até que eventualmente, eles vão sobrecarregar a engrenagem econômica — e isso irá detonar tudo.

  4. Alexander James

    O autor acredita que liderar não é ser “chefe”. Liderar é servir. Embora “servir” tenha uma conotação de fraqueza para alguns, a liderança servidora pode ter um impacto positivo em nosso desempenho como pais, treinadores, cônjuges, professores, pastores ou gerentes – afinal, todos querem se tornar os líderes que as pessoas precisam e merecem.

    1. Olá Alexander,
      Obrigada por sua participação!

      Você tem razão, é isso mesmo, é um nível mais alto de liderança focada no crescimento e respeito do outro. É mais um coaching que foca no crescimento das pessoas como seres humanos. Sua habilidades humanas em primeiro lugar.

      Sucesso sempre!

      Abraço!

    2. Olá Walker,
      Obrigada por sua mensagem.
      Valorizando as pessoas e promovendo o desenvolvimento das habilidades e virtudes do ser humano, o resto é uma consequência. Precisamos começar, o mundo deve mudar, uma sementinha pode fazer a diferença. So start!

      Sucesso sempre!

      Abraço!

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